ser adulto não é legal.
pronto. falei.
me digam, qual é a grande vantagem de envelhecer?
o incessante acúmulo de responsabilidades?
porque convenhamos, ser criança é muito mais legal. a única preocupação existente é passar de ano. e tentar pegar na mão da maricota do 203.
eu fazia as promessas mais mirabolantes pra ver aquele 7 azul no boletim no final do ano.
desde parar de falar palavrão até estudar de verdade no ano seguinte.
obviamente eu não cumpria nenhuma delas.
mas eu lembro que prometia com um fervor impressionante.
mals aí, criador.
mas melhor que a infância é a adolescência.
você ainda pode se divertir como criança, mas tem regalias de adolescente, como dormir tarde e apalpar todos os centímetros das colegas adolescentes. mesmo que no final das contas o único lugar com livre acesso fosse o cotovelo.
de repente chega o vestibular.
pressão de todos os lados.
da professora psicótica que deposita as esperanças da sala em você (“você vai passar, tenho certeza. você é especial!”) até os pais, que não fazem nenhuma pressão declarada, mas também estão perdendo o controle do esfíncter, igualzinho a você.
passado o vestibular, as coisas tendem a acalmar-se um pouco.
Claro que dependendo do número de vezes que ele foi tentado, a pressão posterior pode ser multiplicada algumas vezes. umas trinta. besteirinha.
quando se entra na faculdade ainda existe aquela ilusão de que você voltou a ser despreocupado. mais ou menos como a criança lá de cima.
HÁ!
depois de um ano de zoeira, chega sua tia-avó de cuz das almas e manda aquela pergunta marota na frente de toda a família:
– um ano na faculdade e você ainda não tá estagiando, mizifio?
é, amigo. pressão.
daí pra frente é ladeira abaixo.
estágio. trabalhos da faculdade. estágio. monografia. estágio. contratação (ou não).
trabalho. trabalho. trabalho.
daí, quando você tá começando a ganhar uma grana legal e voltando a ser pelo menos um adolescente – aliás, melhor, já área acessível das meninas cresceu consideravelmente – chega o pai da sua princesa e fala:
– E então, rrrrrrapaz. não vai casar não?
é, amigo.
pressão.