Amar é simples

O amor é mais simples do que parece.

Essa foi a primeira frase que o professor de Dramaturgia 1 escreveu no quadro negro, que na verdade era branco.

Elisa se remexeu na cadeira que machucava suas costas e levantou a mão:

– Como assim é mais simples do que parece? O amor é super-complicado! Tem brigas, ciúmes, traição. Não tem nada de simples nisso.

O professor afastou uma mecha rebelde da testa, sorriu compreensivamente e falou a frase que mudaria a vida de Elisa para sempre:

Amar é uma troca. De amor, paixão e liberdade. Se você não ama quem é livre, como vai poder ser livre para amar?

Elisa acordou com o som do isqueiro. Olhou para o lado e viu Amanda com seu cigarro mentolado pendurado displicentemente nos lábios finos e pálidos.

Sorriu e a beijou no pescoço.

Passou os dedos pela tatuagem que ocupava todo o antebraço e disse uma frase que Amanda nunca mais esqueceria:

Eu te amo, Manda. Mais do que eu gostaria. Menos do que você merece.

Amanda abriu os olhos. Estava no trem, a caminho do trabalho. Ao seu lado, um desconhecido chorava calado, o pior de todos os choros.

Amanda pegou seu post-it, escreveu nele e prendeu na parede, em frente ao homem. O que tinha escrito ali, ele nunca esqueceu:

Tudo vai ficar bem, porque quem chora sem vergonha, vive sem tristeza.

André abriu os olhos. Estava no banho há tanto tempo que seus dedos estavam enrugados. Lembrou da briga colossal que tivera com sua esposa. Tremeu. Lembrou do post-it da senhora no metrô. Sorriu.

Quando saiu do banheiro, nem sinal da sua esposa. A última vez que a viu, ela estava chorando. Apesar disso, ele estava sorrindo quando deixou um bilhete que mudou para sempre a vida dela:

Amar é uma troca. De amor, paixão e liberdade. Se você não ama quem é livre, como vai poder ser livre para amar? Eu te amo, Clara. Mais do que eu gostaria. Menos do que você merece. Tudo vai ficar bem, porque quem chora sem vergonha, vive sem tristeza.

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